Esta é a primeira pergunta de todo time brasileiro que integra o Jev: as
instructions e os criteria devem ser escritos em português ou em inglês?
A resposta honesta é que não sabemos, e esta página existe para explicar o que se sabe, o que não se sabe, e como você descobre no seu caso. Preferimos isso a escrever um palpite com cara de recomendação.
O que a documentação declara
A página oficial de modelos tem uma seção sobre suporte a idiomas, e ela diz:
- o inglês é a língua principal de treino e onde a acurácia está melhor hoje;
- outras línguas, incluindo escritas CJK, são atendidas, mas não igualmente bem;
- a recomendação é testar no próprio conteúdo antes de confiar em uma carga não inglesa e observar a confiança ao rotear.
Note o que não está ali: nenhum número por idioma, nenhuma avaliação publicada, nenhuma recomendação explícita sobre em que língua escrever a pergunta. A declaração é sobre o treino do modelo, não sobre a redação da requisição.
O que nós observamos
Em 18 de setembro de 2026 fizemos cinco chamadas à API oficial, com seis
perguntas cada, com as perguntas escritas em português e textos de
atendimento em português do Brasil. O modelo que respondeu foi o jev-1.13.0.
Os resultados foram consistentes: quatro das cinco categorias saíram com probabilidade 1,00 e confiança 1,00, incluindo o caso mais coloquial do conjunto. A única confiança baixa apareceu no texto irônico, e por um motivo que não tem a ver com idioma — nenhuma das opções servia, o que está explicado em ironia e sarcasmo.
O que isso prova: que perguntas em português funcionaram, naqueles cinco casos.
O que isso não prova: que funcionam melhor, pior ou igual a perguntas equivalentes em inglês. Não rodamos a versão em inglês. Sem o outro braço do experimento, não há comparação — e chamar isso de evidência a favor do português seria desonesto.
Os dois argumentos, sem escolher vencedor
A favor do inglês: é o idioma principal de treino, declarado pelo fabricante. Se a descrição de uma opção é o que o modelo compara com o conteúdo, escrevê-la na língua de treino é uma aposta razoável.
A favor do português: a criteria é lida por pessoas também. Ela é a
política do seu time escrita — quem revisa, discute e mantém essa régua
trabalha em português. Uma descrição em inglês mal escrita por quem não domina
o idioma é pior que uma descrição precisa em português. E há um detalhe
concreto: termos do seu domínio muitas vezes não têm tradução boa. “Nota
fiscal”, “boleto”, “Procon”, “razão social” e “CNAE” viram paráfrases ruins em
inglês, e paráfrase ruim é ambiguidade.
Os dois argumentos são plausíveis. É por isso que a resposta é um teste, e não uma preferência.
Como montar o teste
O experimento é simples e cabe em uma tarde.
- Separe de 20 a 50 textos reais do seu canal, com a resposta que você esperava de cada um. Inclua os casos difíceis, não só os fáceis.
- Escreva duas versões das perguntas, com o mesmo sentido: uma em português, outra em inglês. Mesma quantidade de opções, mesma ordem, mesmo nível de detalhe. Se uma versão está mais bem escrita que a outra, você vai medir redação, não idioma.
- Mantenha o
stateidêntico nas duas rodadas, em português. Traduzir o conteúdo introduz um segundo erro e muda o que está sendo medido. - Rode as duas e registre, para cada texto: a resposta, a confiança e
usage.input_tokens. - Compare três coisas: acerto contra a sua resposta esperada; confiança média; e quantos casos atravessam o seu limiar de ação — que é o que muda o comportamento do sistema de verdade.
PERGUNTAS_PT = {
"categoria": Choice(
instructions="Qual o assunto principal deste ticket?",
criteria={
"duvida_tecnica": "Algo não funciona, dá erro ou o cliente não sabe usar.",
"cobranca": "Fatura, valor, estorno, plano ou forma de pagamento.",
"outro": "Não se encaixa em nenhuma das categorias acima.",
},
),
}
PERGUNTAS_EN = {
"categoria": Choice(
instructions="What is the main subject of this support ticket?",
criteria={
"duvida_tecnica": "Something is broken, returns an error, or the customer does not know how to use it.",
"cobranca": "Invoice, amount, refund, plan or payment method.",
"outro": "Does not fit any of the categories above.",
},
),
}
for texto in CASOS:
pt = client.system_one(state=texto, questions=PERGUNTAS_PT)
en = client.system_one(state=texto, questions=PERGUNTAS_EN)
registrar(texto.id, pt.answers["categoria"], en.answers["categoria"])
Repare que as chaves das opções ficam iguais nas duas versões. Isso é deliberado: a documentação diz que a chave escolhida por você não é enviada ao modelo nem usada na inferência, então mantê-la igual isola a variável que interessa, que é o texto da descrição.
Três coisas que valem mais que o idioma
Enquanto você não roda o teste, estas três decisões têm efeito maior do que a escolha da língua:
Descrever situações, não graus. A documentação mostra o caso extremo: uma
régua com níveis ["0", "1", "2"] devolveu nota 0,57 com confiança 0,35 num
texto em que a mesma régua descrita em palavras devolveu 0,00 com confiança
1,00. Isso está em níveis de Score.
Alinhar instrução e critério. Instruções e critérios que pedem coisas diferentes estão na lista de nove modos de falha declarados, em limites do Jev. Uma tradução apressada é uma forma fácil de criar esse desalinhamento.
Ter opção de escape. Vale em qualquer idioma, e resolve mais casos que qualquer ajuste de redação.
O que faremos quando tivermos o dado
Se e quando rodarmos o experimento das duas versões com volume suficiente, publicamos aqui com o mesmo método de sempre: quantas chamadas, em que data, com qual modelo e medido de onde. Até lá, esta página fica como está — com a pergunta em aberto e o roteiro para você respondê-la no seu conteúdo.
Para começar, primeiros passos monta a primeira chamada, e o playground roda um texto sem código. O índice desta seção está em português.
Perguntas frequentes
Devo escrever instructions e criteria em inglês?
Não sabemos, e ninguém publicou medição disso. A documentação declara que o inglês é a língua principal de treino e onde a acurácia está melhor hoje, o que é um argumento a favor do inglês; nas nossas cinco execuções com perguntas em português os resultados foram consistentes. A resposta honesta é testar no seu conteúdo.
E o state, precisa ser traduzido?
Não. Traduzir o conteúdo avaliado acrescenta um passo que pode errar, custa tokens e latência, e destrói justamente a informação de tom e de registro que você está pedindo ao modelo para ler. A recomendação oficial é testar, não traduzir.
Misturar idiomas é problema?
Não há declaração oficial sobre isso, e nós não medimos. O que sabemos é que pergunta e criteria precisam estar alinhados entre si: a documentação lista instruções e critérios contraditórios entre os modos de falha declarados, e um par mal traduzido é uma forma fácil de criar contradição.
Como monto o teste A/B no meu conteúdo?
Com o mesmo conjunto de textos, o mesmo state e duas versões das perguntas: uma em português e outra em inglês, com o mesmo sentido. Compare acerto contra a sua resposta esperada, confiança média e quantos casos atravessam o seu limiar. Vinte textos já mostram tendência.
Quantos textos preciso para confiar no resultado?
Depende de quanto a diferença importa para você. Vinte textos mostram tendência e pegam erro grosseiro; para decidir uma migração de produção, quanto mais perto dos seus volumes reais, melhor. O que não funciona é decidir com três exemplos.