Uma taxonomia de patentes tem seções, classes, subclasses, grupos e subgrupos. Para chegar à folha certa você toma cinco ou seis decisões em sequência. Se a primeira estiver errada, nenhuma decisão posterior salva o resultado: você está no galho errado da árvore e a única coisa que resta é escolher bem dentro do erro.
O cookbook oficial de classificação hierárquica mostra exatamente esse fracasso com um documento sobre poleiros para aves. A busca gananciosa — escolher o filho mais provável e descartar o resto — terminou em “assunto não previsto nesta seção”. Mantendo três caminhos vivos, o mesmo documento chegou ao subgrupo correto de poleiros para aves domésticas.
Este padrão é leitura nossa. A página oficial de padrões nomeia quatro, e este não está lá. Nós o descrevemos como padrão porque a forma se repete em qualquer taxonomia profunda, mas o vocabulário é nosso.
A mecânica
Cada nó da hierarquia vira uma pergunta Choice cujas opções são os filhos daquele nó. A distribuição de probabilidades da resposta é, literalmente, o peso das arestas que saem dele.
- Greedy: escolhe o filho de maior probabilidade e joga fora as alternativas. Uma decisão ruim no começo não tem volta.
- Beam: mantém
Kcaminhos plausíveis e classifica todas as frentes em paralelo. Evidência mais profunda pode consertar uma decisão ambígua no topo. Ganha a folha do caminho com a maior média geométrica.
A pontuação é o detalhe que faz o padrão funcionar:
path_score = product(edge_probabilities) ** (1 / decisions)
separation = top_path_score / second_path_score
A média geométrica normalizada pelo comprimento permite comparar caminhos de
profundidades diferentes sem punir o mais fundo. A separação não entra na poda:
ela serve para você saber se a decisão foi disputada. Para hierarquias com mais
de dez camadas, o cookbook recomenda exp(mean(log(probs))) em vez do produto
elevado, para evitar erro de precisão.
O que o padrão compra além da acurácia
O cookbook lista dois ganhos que não são sobre o acerto, e são os que mais importam para arquitetura.
Observabilidade. Como cada nó é uma pergunta, você sabe em qual nó as classificações erram mais e quantas vezes cada nó e cada aresta foram percorridos. Isso transforma “o classificador está ruim” em “o nó 12 separa mal”, que é um problema com endereço.
Testabilidade. Dá para testar unitariamente um nó e medir o impacto de uma mudança na hierarquia. Quando alguém acrescenta uma subcategoria, você consegue dizer o que aquilo fez com a classificação — em vez de descobrir em produção.
Há um terceiro ganho, implícito: a decisão fica explicável. O caminho percorrido é a justificativa, com a probabilidade de cada aresta ao longo dele.
O que ele obriga a arquitetura a ter
Uma hierarquia versionada. O cookbook usa fontes fixadas por versão: CPC 2026.05 para patentes, Shopify 2026-02 para produtos de varejo, MeSH 2026 para assuntos biomédicos e a própria árvore de arquivos do repositório de cookbooks da TypeSafe. Sem a versão, comparar resultados entre duas execuções não significa nada.
Descrições de nó escritas para separar irmãos. A opção não precisa explicar a categoria ao mundo; precisa distinguir aquele filho dos outros filhos do mesmo pai. É a mesma disciplina de critérios que separam.
Cuidado com grafo em vez de árvore. O MeSH é um grafo acíclico dirigido: um descritor pode aparecer sob vários pais. O cookbook expande os caminhos oficiais de número de árvore para tratá-lo como árvore. Se a sua taxonomia tem o mesmo formato, essa escolha precisa ser explícita.
Um K decidido com dados. K é o parâmetro do padrão. O cookbook usa 3 nos exemplos; o seu valor depende de onde as ambiguidades aparecem na sua árvore.
Quando não usar
Quando a taxonomia é rasa. Com dois níveis, o beam quase não tem o que recuperar. Uma pergunta por nível já resolve, e talvez uma pergunta só resolva.
Quando os filhos de um nó não são mutuamente exclusivos. Choice é uma escolha relativa entre opções. Se um documento pertence legitimamente a dois ramos, a resposta certa não é um caminho — é um Noul por ramo, como discutido em qual primitiva usar.
Quando o pai não contém informação suficiente para o desvio. Se a decisão do primeiro nível só é possível depois de ler o nível três, a hierarquia está organizada por outra lógica que não a da decisão, e o beam gasta perguntas sem ganhar acurácia.
Quando a folha errada custa o mesmo que a certa. Se a ação a jusante é igual para o galho inteiro, classifique até o nível que muda a ação e pare ali.
Quando a confiança do caminho não é usada. Sem um destino para o caso de separação perto de 1, o padrão devolve uma folha ambígua com cara de decisão. A faixa disputada merece o tratamento de roteamento por confiança ou fila de curadoria, como em revisão humana.
Por onde continuar
Quando a hierarquia existe mas você quer apenas subir um nível em caso de dúvida, a receita de classificar com confiança mostra esse desenho mais simples. Para entender por que as probabilidades das arestas podem ser lidas assim, veja confiança. O índice está em padrões.
Perguntas frequentes
Este padrão está na página oficial de padrões?
Não. Os quatro padrões oficiais são fan-out especulativo, roteamento por confiança, pontuação composta e roteamento de intenção. O beam search hierárquico é a nossa leitura do cookbook oficial de classificação hierárquica, que descreve o método sem chamá-lo de padrão.
Por que não perguntar a folha direto?
Porque taxonomias reais têm milhares de folhas e um Choice aceita no máximo 255 opções. Mesmo abaixo desse teto, opções demais se sobrepõem e derrubam a confiança. A hierarquia transforma um problema de milhares de opções em uma sequência de escolhas pequenas.
Como o beam compara caminhos de profundidades diferentes?
Pela média geométrica das probabilidades de aresta: product(edge_probabilities) elevado a 1 dividido pelo número de decisões. A normalização pelo comprimento é o que permite comparar uma folha rasa com uma profunda sem punir a profunda.
Quanto o beam melhora sobre o greedy?
Nos quatro exemplos do cookbook, o beam com K=3 acertou a folha esperada em 4 de 4 e o greedy em 2 de 4. Os dois casos recuperados foram a hierarquia de patentes CPC e a de produtos Shopify. São quatro exemplos, não um benchmark.
Manter K caminhos multiplica o custo?
Multiplica os tokens das perguntas, não os do state, e as frentes do beam vão como perguntas paralelas na mesma chamada. Como o state é o que domina o custo, K=3 fica longe de custar o triplo — e o cookbook observa que a exploração extra acrescenta pouco tempo de parede.
Para que serve a métrica de separação?
Para saber se a decisão foi disputada. Separação é a razão entre a pontuação do melhor caminho e a do segundo: perto de 1 vez significa ambíguo, razão grande significa separação clara. O cookbook a usa como métrica, não para poda.